1 – O CEDRO DO LÍBANO

Texto Bíblico:  Salmos 92:12 RA

“O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro no Líbano.”

INTRODUÇÃO

Como primeira lição da série EDIFICAÇÃO, achamos por bem trazer a figura de uma árvore muitas vezes citada na Bíblia: O Cedro do Líbano. Suas características nos trarão ensinos preciosos sobre como deve ser a vida do cristão.

  1. Crescimento Lento Mas Consistente.

Sabemos acerca do Cedro do Líbano que ele cresce devagar, mas chega a atingir a altura de até 40 metros. Nos primeiros três anos de vida, as raízes crescem até um metro e meio de profundidade, enquanto a planta tem somente cerca de cinco centímetros. Somente a partir do quarto ano é que a árvore começa a crescer. O Cristão é como o cedro do Líbano, e portanto, tem a promessa de crescer. Ainda que o seu crescimento seja lento conforme a experiência do cedro, ele acontecerá e se tornará visível a todos. A preocupação do filho de Deus, principalmente nos primeiros anos da vida cristã, não deve estar no crescimento em si, mas no lançar das suas raízes.

Lembre-se do fato de que nos três primeiros anos o cedro possui raízes de um metro e meio de profundidade enquanto a planta apresenta apenas cinco centímetros. Entendemos, portanto, que o foco está no lançar das raízes muito mais do que nas evidências externas.  Notamos muitas pessoas preocupadas porque não percebem que estão crescendo espiritualmente. Provavelmente estejam esperando frutos visíveis, ministérios estabelecidos, ou alguma evidência externa de que estão crescendo em Deus. No entanto, como o cedro, não deveríamos estar tão focados nessas evidências externas, se verdadeiramente nos ocuparmos em aprofundar as nossas raízes. Fazemos isso através da leitura da Palavra, da assimilação dos Seus princípios e da devida aplicação na vida prática. A essência da Palavra de Deus é o AMOR.

Quanto mais nos exercitamos no Amor a Deus e ao próximo, mais profundas serão nossas raízes, e depois, no seu devido tempo, passaremos a manifestar um crescimento gradativo.  “e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé,estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade” (Efésios 3:17-18 RA)

2. Raízes que Buscam as Águas Profundas

Outra verdade interessante é que o cedro do Líbano é muito resistente e suporta vento e calor. Suas raízes profundas buscam água nos lençóis freáticos e por isso ele não depende de chuva. Assim deve ser o cristão. Para crescer à semelhança do cedro ele não pode viver na dependência dos fatores externos. Ele precisa aprender a aprofundar as suas raízes a fim de buscar alimento e provisão mesmo em condições desfavoráveis de seca, calor e ausência de chuvas.  Há quem diga que deixou de crescer espiritualmente por causa da falta de espiritualidade da sua igreja local.

Às vezes nos queixamos da própria família por não nos propiciar as condições favoráveis para o êxito em alguma área da vida. Nas mais diversas ocasiões, se nos descuidarmos, estaremos sempre achando um bode expiatório para os nossos fracassos. No entanto, o ensino bíblico nos mostra que apesar da ausência de chuvas ou de fatores externos extremamente desfavoráveis, há de se encontrar as águas mais profundas. Aquelas que se acham quando são buscadas. Não estão na superfície da indiferença nem da preguiça. Não estão no limiar do conformismo ou da apatia espiritual. Elas estão no lugar da fome e da sede de Deus. Elas se encontram no lugar do desejo de ser alguém para Deus e para o mundo.

“Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.” (Jeremias 29:13 RA)

3. Raízes Que Abraçam a Rocha

Há informações de que toda raiz quando cresce muito e atinge a rocha pára de crescer. No caso do cedro do Líbano a raiz continua a crescer em volta da rocha, abraçando-a. Enquanto algumas raízes vêem na rocha um impedimento para a sua expansão, para o cedro, justamente o contrário. Quanto mais abraçado à rocha mais firme ficará. Para muitos o encontro com a rocha fará cessar o seu crescimento. Refiro-me aos que vivem fora da Palavra de Deus.

Eles vão crescendo e desenvolvendo seus projetos pessoais até esbarrarem em Cristo e em Seus imutáveis princípios. Não podem prosperar à maneira de Deus porque seus métodos, fórmulas, motivações e ações são condenados por Ele. Não é assim com o justo que continua crescendo até suas raízes se firmarem na rocha, abraçando-a e estabelecendo uma relação de maior intimidade.  “Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas, para os descrentes, A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular e: Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos.” (1 Pedro 2:7-8 RA)

CONCLUSÃO

O nosso desejo é o de assimilar as verdades paralelas expressas pela figura do cedro do Líbano. Devemos fazer isso porque foi Deus quem disse que cresceríamos como ele.

 

2- A CORSA E OS LUGARES ALTOS

Texto Bíblico: Habacuque 3:19 RA

“O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente. Ao mestre de canto. Para instrumentos de cordas”.

INTRODUÇÃO

A Corça não suporta o confinamento. Estar confinado a algum lugar significa estar preso ou sentir-se limitado. O sentimento de Habacuque no final do seu livro expressa justamente a alegria por haver se livrado desse tipo de prisão. Tratava-se de uma limitação da sua alma devido à forma como ele estava encarando as situações que o cercavam. Depois de um tempo com Deus, ouvindo e refletindo, Habacuque experimentou tremenda libertação. Quais eram as situações que tiveram poder de confinar sua alma, e de que forma ele conseguiu livramento?

FATORES DE CONFINAMENTO

  1. 1.     Perda da Esperança no Triunfo da Justiça.

Os quatro primeiros versículos do livro revelam o que o profeta pensava e o motivo da sua angústia: “iniqüidade, opressão, destruição, violência, contenda, litígio (demanda judicial), a lei se afrouxa, a justiça nunca se manifesta, o perverso cerca o justo, a justiça é torcida”.

Habacuque estava extremamente desgastado com o que via diariamente. Ele havia perdido a esperança de justiça. Sendo ele um homem justo, isso representava uma violência à sua própria natureza. É como se não houvesse lugar para ele no mundo, sentindo-se, na linguagem mais popular, um peixe-fora-dágua.

Quando vivemos em um lugar onde nos sentimos violentados, não respeitados, não amados, precisamos de uma experiência semelhante à de Habacuque. Quando ele disse após ouvir a Deus que os seus pés seriam como os da corça, não estava dizendo que os usaria para fugir das situações opressoras. Nem sempre isso é possível, além de poder não representar exatamente o que Deus quer que aconteça. Ter os pés como os da corça, portanto, significa libertar-se dos sentimentos destrutivos, mesmo quando os motivos continuam sendo os mesmos. Significa não se permitir tornar-se prisioneiro das circunstâncias.

Pense um pouco se você já aprendeu a lidar com os seus aborrecimentos. Se pequenas ou grandes coisas o chateiam, procure viver a experiência de Habacuque e comece a desprender-se, subindo aos lugares altos.

2. Falta de Entendimento Acerca de Como Deus Trabalha.

Saber que o homem é pecador e falho, Habacuque bem sabia. Mas como Deus podia ver todo o mal e não fazer nada? A crise do profeta era dupla. Sua decepção era na direção dos homens e também em relação a Deus. Ele sabia que o Senhor se importava com os homens, mas não entendia porque Ele aparentemente não agia em favor deles. Aqui estamos diante de um grande desafio: subir aos lugares altos, como a corça, para não mais pensar ou ver as coisas como o homem natural pensa ou vê. O desafio é subir para começar a enxergar as situações da vida a partir de um outro ponto de vista. É disso que o Senhor nos fala no seguinte texto bíblico:

“porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus

pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos”.(Isaías 55:9 RA)

FATORES DE LIBERTAÇÃO DO CONFINAMENTO

A libertação dessa prisão emocional também é ilustrada em mais uma das características da corça. Como parte da sua natureza de não suportar o confinamento, ela sai correndo à busca das águas, livremente, com intensidade e expressando-se até com gritos.

“Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma”.(Salmos 42:1 RA)

Habacuque, mesmo em crise, também buscou. Buscou respostas com toda a intensidade do seu ser e foi atendido. Deus lhe respondeu dizendo que no devido tempo a justiça seria feita e que Ele não estava alheio aos acontecimentos terrenos. Foi então que o profeta tomou as seguintes decisões para sair do seu confinamento emocional:

  1. 1.     Viver pela fé. É a decisão de viver não firmado no que se vê, mas no que se crê.

 “Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé”. (Habacuque 2:4 RA)

2.Alegrar-se em qualquer situação. É a decisão de subir acima das circunstâncias e encontrar motivo de alegria em Deus.

“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação”.(Habacuque 3:17-18 RA)

3.Refugiar-se em Deus. É a decisão de encontrar n`Ele proteção, segurança e força que não encontramos no mundo.

“O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente. Ao mestre de canto. Para instrumentos de cordas”.(Habacuque 3:19 RA)

Conclusão

Não aceitar o confinamento, além de buscar respostas e novas saídas, o ajudarão a manter-se sempre nos lugares altos da fé, da alegria, da proteção e do fortalecimento em Deus.

                                                                                                                             Wilson Maia dos Santos

 3 – OS ENSINOS DA  AMENDOEIRA – PARTE 1

Texto Bíblico: Jeremias 1:11-12

“Ainda veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que é que vês, Jeremias? E eu disse: Vejo uma vara de amendoeira. E disse-me o SENHOR: Viste bem; Porque eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la.”

INTRODUÇÃO

 A amendoeira nos trará lições preciosas que nos ajudarão a trilhar o caminho da edificação em Deus. Dividiremos o ensino sobre este tema em duas lições. Estejamos, portanto, atentos às virtudes que precisam ser agregadas aos nossos valores cristãos.

Vigilância

Para entendermos o texto acima precisamos compreender o significado de algumas palavras. No hebraico “shaqad” é velar, e “shaqed” é amêndoa. São palavras muito parecidas que se assemelham também no significado. Deus estava dizendo que velava sobre a Sua própria palavra para a cumprir. Velar significa vigiar, apressar, antecipar, estar desperto, alerta, vigilante, estar de sentinela, cuidar atentamente. A visão de Jeremias foi a de uma amendoeira cuja característica é muito parecida com a vigilância que Deus exerce sobre o Seu povo. É ela a primeira árvore a florescer na primavera. No pensamento hebraico a amendoeira é considerada a “despertadora”.  Este senso de vigilância, de antecipação e prontidão para florescer, é o que se espera do cristão. Precisamos dessa virtude em várias ocasiões da vida:

1)     Vigilância para ouvir e responder a Deus“Sobre a minha guarda estarei, e sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para ver o que falará a mim, e o que eu responderei quando eu for argüido”. (Habacuque 2:1)

2)     Vigilância para estar pronto para servir à família e aos outros“Levanta-se, mesmo à noite, para dar de comer aos da casa, e distribuir a tarefa das servas…Vê que é boa a sua mercadoria; e a sua lâmpada não se apaga de noite… Está atenta ao andamento da casa, e não come o pão da preguiça”. (Provérbios 31:15, 18 e 27)

3)     Vigilância para não tornar inútil o trabalho que outros fizeram para a nossa edificação.  “Portanto, vigiai, lembrando-vos de que durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de vós”. (Atos 20:31)

4)     Vigilância para não colocar impedimento a que outros conheçam a Deus, através de possível mau testemunho ou ensino incorreto da Palavra de Deus.  “Vigiai justamente e não pequeis; porque alguns ainda não têm o conhecimento de Deus; digo-o para vergonha vossa”. (I Corintios 15:34)

5)     Vigilância na oração para discernir os tempos.  “E já está próximo o fim de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração”. (I Pedro 4:7)

6)     Vigilância para discernir a aproximação do mal e preparar-se para isso. “E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui, e vigiai”. (Marcos 14:34)

7)     Vigilância para não ceder à tentação de tomar para si o que pertence a Deus ou aos outros.  “Vigiai, pois, e guardai-os até que os peseis na presença dos chefes dos sacerdotes e dos levitas, e dos chefes dos pais de Israel, em Jerusalém, nas câmaras da casa do SENHOR”. (Esdras 8:29).

8)     Vigilância para não cair na tentação da carne“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. (Mateus 26:41)

9)     Vigilância para não cair na tentação do Diabo.  “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar”. (I Pedro 5:8)

10)Vigilância para buscar estar de pé, com dignidade, na vinda de Cristo“Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em pé diante do Filho do homem”. (Lucas 21:36)

CONCLUSÃO

 A amendoeira nos ensina que devemos despertar cedo, estando atentos às nossas responsabilidades e oportunidades. Hoje lidamos apenas com o primeiro ensino sobre a amendoeira, deixando para a próxima lição o devido complemento.

 Wilson Maia dos Santos

 4OS ENSINOS DA AMENDOEIRA – PARTE 2

Texto Bíblico: Números 17:8  RA

“No dia seguinte, Moisés entrou na tenda do Testemunho, e eis que o bordão de Arão,pela casa de Levi, brotara, e, tendo inchado os gomos, produzira flores, e dava amêndoas.”

INTRODUÇÃO

Dando continuidade aos estudos sobre a amendoeira, passemos às outras virtudes que devem fazer parte da vida do cristão.

Frutificação

Houve uma polêmica nos dias de Moisés acerca de quem deveria exercer autoridade espiritual sobre o povo. Algumas pessoas achavam que não era justo que apenas Arão servisse como sacerdote, ou que somente a tribo de Levi de cuja linhagem Arão fazia parte, pudesse fornecer os líderes espirituais do povo. Julgavam eles que aquela posição havia sido escolhida por eles próprios, Moisés e Arão, e que outros, de outras tribos, poderiam ocupar aquele lugar. Para resolver a polêmica, Deus ordenou que os líderes de cada tribo (eram doze ao todo), colocassem seus bordões (varas) diante do Senhor, na Tenda da Congregação. A tribo cuja vara viesse a florescer seria aquela divinamente confirmada para tal serviço. No dia seguinte quando Moisés foi observar o estado das varas, percebeu que fora justamente a de Arão que havia florescido. De fato, a tribo de Levi de onde Arão pertencia, era a escolhida de Deus. O sinal foi que a vara não apenas havia florescido, como também brotado gomos e produzido amêndoas maduras.  O fruto da amendoeira aqui representa algumas verdades:

1)      Para Frutificar Precisamos Estar Ligados a Deus.“permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim.” (João 15:4 RA)

Conforme o texto acima é impossível frutificar se a vara não estiver ligada à arvore. Espiritualmente também é assim. Deus quis mostrar ao povo dos dias de Moisés que a vara de Arão só pôde florescer porque ela estava ligada à vontade e ao plano soberano do Senhor. Como uma vara podia florescer e dar frutos sem estar plantada na terra? O milagre veio a confirmar que a escolha do ministério sacerdotal não foi meramente humana e sim divina.  Para frutificar em qualquer área da vida precisamos estar ligados aos planos e aos propósitos divinos. Não podemos ter a expectativa de prosperar, biblicamente falando, se não estivermos  dentro dos princípios que Ele estabeleceu para nós.

2)      A Natureza do Ministério Sacerdotal é Velar Sobre os Outros“Veio ainda a palavra do SENHOR, dizendo: Que vês tu, Jeremias? Respondi: vejo uma vara de amendoeira. Disse-me o SENHOR: Viste bem, porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir.” (Jeremias 1:11-12 RA)

Como vimos na aula anterior, amêndoa vem da mesma raiz da palavra “velar”. Acreditamos que o motivo do Senhor haver escolhido o fruto da amendoeira para demonstrar a escolha do ministério sacerdotal, tenha sido pelo fato de nenhum outro fruto representar melhor a natureza do ministério sacerdotal do que o fruto da amendoeira. É a árvore que primeiro floresce no ano. Assim é o ministério sacerdotal, o primeiro que desperta para interceder pelos outros.  Essa é a responsabilidade do povo de Deus, na medida em que entendemos o nosso chamado como sacerdotes constituídos por Ele. Fomos por Ele chamados para velar em favor dos que ainda não O conhecem e interceder por eles. Somos responsáveis por leva-los a Deus através das nossas orações, intercessões, pregações e serviço. “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” (1 Pedro 2:9 RA)

Maturidade

“como também quando temeres o que é alto, e te espantares no caminho, e te embranqueceres, como floresce a amendoeira, e o gafanhoto te for um peso, e te perecer o apetite; porque vais à casa eterna, e os pranteadores andem rodeando pela praça;” (Eclesiastes 12:5 RA)

Aqui vai uma descrição da última estação do ser humano: o tempo da sua velhice. É a fase onde as cãs (cabelos brancos) aparecem, como a amendoeira florida. A amendoeira em seu florescimento traz à memória algumas virtudes associadas ao ancião que devemos desejar e construir para os próximos anos da nossa vida.

1. Ser Digno da Honra Prestada a um Ancião. “Diante das cãs te levantarás, e honrarás a presença do ancião, e temerás o teu Deus. Eu sou o SENHOR.” (Levítico 19:32 RA)

2. Ter Procedimentos dos Quais Possa se Orgulhar na Velhice“Agora, pois, eis que tendes o rei à vossa frente. Já envelheci e estou cheio de cãs, e meus filhos estão convosco; o meu procedimento esteve diante de vós desde a minha mocidade até ao dia de hoje.” (1 Sm.12:2 RA)

3. Ter Como Alvo Permanecer no Caminho da Justiça até à Velhice “Coroa de honra são as cãs, quando se acham no caminho da justiça.” (Provérbios 16:31 RA)

4.Desenvolver a Beleza da Maturidade e Dignidade Expressas no Avançar da Idade. “O ornato dos jovens é a sua força, e a beleza dos velhos, as suas cãs.” (Pv.20:29 RA)

5.Depender de Deus em Todas as Fases da Vida, Inclusive na Velhice“Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei.” (Isaías 46:4 RA)

CONCLUSÃO

Como vimos, a amendoeira pode exemplificar várias virtudes que devemos desejar para o nosso crescimento espiritual. Apenas revendo, ela nos lembra as seguintes verdades, desde a aula anterior: Vigilância, Frutificação e Maturidade. Que essas virtudes sejam sempre almejadas e buscadas com toda a intensidade do nosso ser.

 Wilson Maia dos Santos

 5- SIMÃO, O CURTIDOR

Texto Bíblico: Atos 9:43

“Pedro ficou em Jope durante algum tempo, com um curtidor de couro chamado Simão”. 

INTRODUÇÃO

Para que continuemos no espírito da edificação precisamos quebrar preconceitos. A lição de hoje visa demonstrar como Pedro teve de superar suas tradições religiosas para se tornar bênção na vida de outras pessoas. Aprendamos com ele.

Conhecendo o Hospedeiro

Em uma de suas viagens missionárias, Pedro ficou hospedado certo tempo na casa de Simão, o curtidor. O produto final desse ofício resulta em cintos, bolsas, sapatos, etc. Embora fosse uma profissão digna como qualquer outra, ser um curtidor representava um grande desafio dentro da cultura judaica. Estar hospedado na casa de Simão também era algo digno de nota. Veja a seguinte citação de um artigo de Fabrício Pacheco – www.pibviva.com.br:

“Este ofício consistia em tratar a pele dos animais mortos com um tipo de pasta de visgo. Em seguida eram enroladas e ficavam assim até que os pêlos se soltavam. Após esta etapa, retirava-se qualquer carne e gordura ainda existente para então se mergulhar a pele em uma solução de visgo e sumagre. Após a secagem, o couro é enegrecido em uma das superfícies aplicando-se vinagre fervido com cobre e esfregando-a contra ela mesma. Logo após o couro era amaciado com azeite de oliva.” (Nota: visgo e sumagre são plantas, também utilizadas no serviço do curtidor).Entenda o porquê do desafio para Simão e seu hóspede, Pedro.

Um Lugar Imundo

O manuseio de animais mortos era contrário aos costumes judaicos. “E se morrer algum dos animais, que vos servem de mantimento, quem tocar no seu cadáver será imundo até à tarde”   (Levítico 11:39). Imagina a situação de Simão que tinha de tocar em animais mortos não apenas ocasionalmente, mas todos os dias. O senso de impureza era constante. Já pensou também no cheiro? Com certeza o ambiente não era nada agradável, com animais cortados e espalhados por todo lado para a retirada de pele. No entanto, foi justamente ali que Pedro se hospedou. Foi naquela casa que ele teve uma visão que permitiu abrir as portas de salvação para os gentios (aqueles que não são judeus) – Atos 10:11 e seguintes.

Algumas pessoas pensam que por não trabalharem num ambiente totalmente “santo”,  nunca prosperarão. Nos sentimos incomodados com a necessidade de convivência com pessoas que talvez não professem a mesma fé que temos. Enfim, achamos que em certas condições não ideais, de tumulto ou de aparente desordem, Deus não poderá nos falar ou revelar-se de alguma forma. É nessas horas que devemos olhar para Pedro.

Seria ótimo separar um tempo para dar graças a Deus pelo nosso ofício com todos os seus ossos, pelos colegas de trabalho cristãos ou não, pelo cônjuge não convertido (se for o caso), e pelas diversas oportunidades de convivência com os discriminados pela sociedade.

O Estágio de Pedro

O lugar onde ele estava hospedado não representava apenas um desafio pelo que explicamos acima. Aos olhos de Deus, significava também um estágio que o remeteria a uma experiência maior. Entendemos por estágio um lugar onde passamos uma fase, um tempo de prova, de   experiência, mas não como um lugar definitivo. Na experiência de Pedro tratava-se de um lugar necessário para que ele começasse a se preparar para a visão que logo passaria a ter.

Numa manhã, ainda hospedado na casa de Simão, ele teve a visão de um lençol que descia do céu com toda a sorte de animais imundos. “E viu o céu aberto, e que descia um vaso, como se fosse um grande lençol atado pelas quatro pontas, e vindo para a terra. No qual havia de todos os animais quadrúpedes e répteis da terra, e aves do céu. E foi-lhe dirigida uma voz: Levanta-te, Pedro, mata e come. Mas Pedro disse: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda. E segunda vez lhe disse a voz: Não faças tu comum ao que Deus purificou”. (Atos 10:11-15).

O que representava aquela visão? Significava um mundo perdido, considerado imundo, carente de salvação. Em breve, homens da parte do gentio Cornélio, bateriam à porta de Simão à procura de Pedro e em busca de salvação (Atos 10:17). Deus estava querendo dizer que Pedro não podia  recusar o convite dos gentios por considera-los imundos, antes, devia ir com eles. Pedro entendeu e obedeceu. O resultado foi de grande salvação para Cornélio, sua casa e seus  amigos íntimos (Atos 10:48). Tudo isso aconteceu na casa de Simão, o curtidor. Aquele lugar considerado imundo pelos homens tornou-se ponte para a salvação.

Será que estamos aproveitando a oportunidade para fazer dos nossos lugares difíceis, pontes de salvação? Quando ficamos doentes e precisamos dos hospitais, aproveitamos a oportunidade para consolar os demais que nos cercam? Mesmo presos, como Paulo e Silas, somos capazes de suplantar a dor das feridas  pelos cânticos de adoração (Atos 16:23 e 25)? Porventura temos conseguido transformar nossos vales áridos em mananciais de bênção (Salmo 84:6)? Será que temos aproveitado a ofensa para exercitar os músculos da graça e do perdão (Mateus 18:27)? Crescimento, amadurecimento, restauração, aprendizado, solidariedade, são todos considerados como dádivas acrescidas à existência de quem consegue aproveitar bem as oportunidades para fazer o bem.

CONCLUSÃO

Aceitemos o tratamento de Deus que derruba barreiras de preconceitos, para que então, com liberdade possamos servir ao Seu reino.

 Wilson Maia dos Santos

6- TROMBETAS, CÂNTAROS VAZIOS E TOCHAS

Texto Bíblico: Juízes 7:16, 19-20 RA

“Então, repartiu os trezentos homens em três companhias e deu-lhes, a cada um nas suas mãos, trombetas e cântaros vazios, com tochas neles… Chegou, pois, Gideão e os cem homens que com ele iam às imediações do arraial, ao princípio da vigília média, havendo-se pouco tempo antes trocado as guardas; e tocaram as trombetas e quebraram os cântaros que traziam nas mãos. Assim, tocaram as três companhias as trombetas e despedaçaram os cântaros; e seguravam na mão esquerda as tochas e na mão direita, as trombetas que tocavam; e exclamaram: Espada pelo SENHOR e por Gideão!”

INTRODUÇÃO

Algo de maravilhoso que encontramos na Bíblia é que as grandes vitórias não se deram pela força do braço ou pela eficácia das armas de guerra. Deus deu ao seu povo estratégias simples para que a glória da conquista fosse dada somente a Ele. Além de simples, as estratégias revelam virtudes através das quais o Senhor se move entre o seu povo. Estejamos atentos ao significado que cada elemento nos apresenta nesta ocasião.

1. Trombetas

Trezentos homens de Israel estavam se preparando para enfrentar uma multidão de midianitas, amalequitas e todos os povos do Oriente que cobriam o vale como gafanhotos em multidão. Seus camelos eram em multidão inumerável como areia que há na praia do mar (Juízes 7:12). Na verdade, tratava-se de uma missão impossível, pelo menos, aos homens. Mas cada soldado é desafiado a levar consigo uma trombeta. As trombetas eram chifres de boi ou de carneiro (em heb. shofaroth). A trombeta estava ligada à proclamação de um novo tempo ou a um chamado ao ajuntamento. Ao som das trombetas definiria-se o fim de um domínio maligno e o estabelecimento do reino do Senhor. O som daqueles shofares, todos tocando ao mesmo tempo, certamente produziu em cada guerreiro um grande despertar de fé, manifesto através de uma convicção de que o Senhor agiria ali de uma forma sobrenatural. O som da trombeta precisa ser ouvido no nosso interior. Quando nos expomos às promessas divinas, seja por qual meio for, leitura da Palavra, cânticos, exortação, enfim, há de se fazer ouvir internamente alguma coisa que determine o fim da postura de incredulidade ou de subjugação, para um anseio de liberdade e novos posicionamentos em Deus. É justamente essa mudança de postura interior, invisível mas real, que o levará a enfrentar e vencer a multidão de midianitas e amalequitas que tentam lhe oprimir.

2. Cântaros Vazios

Os cântaros vazios faziam parte da estratégia divina para vencer os inimigos.Precisavam estar vazios para conterem as tochas que deviam permanecer escondidas até o momento certo. O ataque seria de surpresa, portanto, as luzes não podiam ser vistas aproximando-se do arraial inimigo antes do tempo. Daí a necessidade de cântaros vazios que escondessem as tochas. No devido tempo, porém, eles deveriam ser quebrados para que a luz se tornasse visível a todos. A interpretação é quase que óbvia. Nós devemos ser cântaros vazios que comportam a luz de Deus. Cântaros que transportam Deus, que escondem a Palavra no coração para não pecar contra Ele (Salmo 119:11). Mas também, cântaros cuja maior missão não é a de conservar-se ou perpetuar-se, mas, de quebrar-se para que o mais importante seja visto por todos, a luz divina. Cântaros que não querem se quebrantar assemelham-se aos que foram mencionados por Jesus: “Quem quiser preservar a sua vida perdê-la-á; e quem a perder de fato a salvará.” (Lucas 17:33 RA) Perder a vida voluntariamente significa morrer para as suas próprias ambições egoístas e terrenas a fim de abrir-se para novas motivações, as do Reino do Senhor, muito mais elevadas e sublimes. É entrar pelo caminho do perdão em substituição à vingança, é comungar com o arrependimento em vez da obstinação. É morrer para si e viver para Deus. Estar disposto a quebrar-se é o mesmo que dizer que o mais importante não são os seus sonhos pessoais, ou a sua opinião, ou os seus direitos. E quando isso acontece (na verdade, só quando isso acontece) é que temos como revelar o que realmente temos de melhor no oculto da nossa relação com Deus.

3. Tochas

Como já dissemos, as tochas eram levadas dentro dos cântaros, revelando-se somente na hora em que estes fossem quebrados. O som das trombetas, a quebra dos cântaros e a luz das tochas, trabalhando em conjunto, confundiu os adversários que começaram a digladiar-se mutuamente. Há uma passagem que nos admoesta a verificar que tipo de luz é a que realmente temos“São os teus olhos a lâmpada do teu corpo; se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, se forem maus, o teu corpo ficará em trevas. Repara, pois, que a luz que há em ti não sejam trevas. Se, portanto, todo o teu corpo for luminoso, sem ter qualquer parte em trevas, será todo resplandecente como a candeia quando te ilumina em plena luz.” (Lucas 11:34-36 RA). A passagem nos adverte acerca de como vemos as coisas. Por exemplo: Se olhamos as pessoas com olhar de julgamento, de cobiça, de interesses egoístas, de forma rancorosa, odiosa, etc, estamos manifestando trevas em vez de luz. Nessas condições, na quebra dos cântaros a única coisa a se perceber será a tragédia de uma vida que se encheu de tudo o que não é luz. O cântaro se quebra na hora da crise, do desemprego, da perseguição, dos momentos difíceis. O que as pessoas verão em você nessas ocasiões de prova: Trevas ou Luz?

CONCLUSÃO

De coisas simples se faz uma grande conquista. De virtudes singelezas, também. Apenas revendo: a trombeta representa uma nova tomada de posição interior ou uma proclamação que você faz a você mesmo acerca de como lidará com todas as situações a partir daquele momento. O cântaro representa sua própria vida que transporta a glória de Deus, sempre disposto a se quebrar em vez de se auto-preservar, por amor a Deus e aos Seus interesses.

A tocha, enfim, representa a luz divina, que se intensifica na medida em que os valores cristãos são absorvidos e vividos na prática.

 Wilson Maia dos Santos

7- A BOTIJA DE AZEITE

Texto Bíblico: 2 Reis 4:1-7 RA

“Certa mulher, das mulheres dos discípulos dos profetas, clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que ele temia ao SENHOR. É chegado o credor para levar os meus dois filhos para lhe serem escravos. Eliseu lhe perguntou: Que te hei de fazer? Dize-me que é o que tens em casa. Ela respondeu: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite. Então, disse ele: Vai, pede emprestadas vasilhas a todos os teus vizinhos; vasilhas vazias, não poucas. Então, entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos, e deita o teu azeite em todas aquelas vasilhas; põe à parte a que estiver cheia. Partiu, pois, dele e fechou a porta sobre si e sobre seus filhos; estes lhe chegavam as vasilhas, e ela as enchia. Cheias as vasilhas, disse ela a um dos filhos: Chega-me, aqui, mais uma vasilha. Mas ele respondeu: Não há mais vasilha nenhuma. E o azeite parou. Então, foi ela e fez saber ao homem de Deus; ele disse: Vai, vende o azeite e paga a tua dívida; e, tu e teus filhos, vivei do resto.”

INTRODUÇÃO

A palavra de hoje é para as situações da vida em que não conseguimos perceber que a solução do problema pode estar muito mais perto do que imaginamos. Atentemos para o ciclo que nos leva à liberdade.

1. Percepção do Problema e dos Valores.

A consciência de que havia um problema era real. Porém, mais do que consciente dele, ela estava decidida a não sucumbir diante dele. O que a fortalecia? A memória da integridade do marido enquanto vivo, e a certeza de que o sonho para os filhos não incluía a escravidão. Ela sabia que não podia olhar somente para o credor que batia à porta, e desprezar todo o legado de justiça e de sonhos que a família já tinha vivido. Foi essa percepção que lhe deu forças para buscar ajuda e encontrar solução.

Numa situação de crise precisamos aprender a olhar ao nosso redor e descobrir o que já foi construído. Certo casal decidido a se separar por causa dos inúmeros conflitos existentes, em um determinado dia, foi surpreendido por algumas evidências. Ao consultar os canhotos dos cheques emitidos ao longo dos anos de matrimônio, incluindo o pagamento dos móveis para a casa, as parcelas do carro adquirido para a família, as mensalidades da escola dos filhos, e tantas outras coisas que juntos haviam feito pelo lar, o marido, comovido, descobriu que o investimento tinha sido alto demais para tudo acabar daquele jeito. Conversou com ela sobre isso e juntos decidiram dar mais um passo.

Ver o problema é necessário, porém, descobrir os valores mais fortes do que ele, é mais importante ainda.

1. Uma Simples e Grande Descoberta.

Depois de relatar seu problema e seus valores ao profeta, restava saber qual a saída que ele apresentaria. “Que te hei de fazer?” – perguntou o homem de Deus. “Que tens em casa?” – continuou. “Nada, senão uma botija de azeite” – respondeu ela. O final da história já sabemos. O azeite se multiplicou, ela vendeu o azeite, pagou a dívida e viveu com o resto do dinheiro. Porém, antes do final da história, perguntamos:

- Não é interessante perceber que a solução do problema estava mais perto dela do que ela podia imaginar? Não é maravilhoso notar que as saídas de Deus não são complicadas nem inatingíveis?

Quando Jesus precisou alimentar a multidão proveu-se de apenas cinco pães e dois peixes de um menino que estava por ali mesmo. Da mesma forma, a botija de azeite estava dentro da própria casa da viúva. Há muitos recursos dentro de nós ou próximos a nós que por não serem percebidos ou descobertos a tempo podem nos sujeitar a necessidades. Testificamos isso quando nos deparamos com homens pedindo esmolas em faróis, quando poderiam sobreviver desenvolvendo o seu potencial de forma bem mais digna e criativa.

Talvez você tenha uma habilidade, um dom, um potencial, uma formação, uma herança, ou alguma coisa que lhe esteja bem disponível, porém, pouco ou mal empregada. Hoje o profeta lhe pergunta: “O que tens em casa?”.

1. Até Onde Você Pode Ir?

A viúva tinha uma botija cheia de azeite, mas precisava de muitas vasilhas emprestadas. Tantas quantas conseguiu com as vizinhas foram as que trouxeram para casa. O profeta ordenou que ela fechasse a porta e ficasse apenas com os filhos deitando nas vasilhas o azeite que ia se multiplicando na medida em que prosseguia na tarefa. O interessante foi que o azeite permaneceu se multiplicando enquanto havia vasilhas. Quando elas se acabaram, acabou-se o azeite. Parece-me que a quantidade de vasilhas que ela conseguiu com as vizinhas foi surpreendentemente enorme, pois a venda do azeite foi suficiente para pagar toda a dívida e ainda sobrou para ela viver do resto. A busca pelas vasilhas e a quantidade conseguida estava relacionada ao tamanho da sua fé.

“Seja feito conforme a sua fé” – acho que você já sabe quem é o autor dessa célebre frase. Sim, Jesus sempre honrou o tamanho da fé que seus seguidores puderam revelar. Poucas vasilhas, pouca fé. Muitas vasilhas, muita fé.

Até onde você pode ir com as suas vasilhas? Vasilhas que comportem o azeite da paciência, da tolerância, do ânimo, do encorajamento, da fidelidade, do amor, da pureza, da amizade, da sabedoria. Há muitas pessoas que não desistem de ir atrás das suas vasilhas na certeza de que Deus as encherá. É por isso que não faltam aos cultos, não desistem da faculdade, lutam por seus casamentos e se esforçam para não esmorecer em seus sonhos.

CONCLUSÃO

Seria muito importante você rever os valores que tem feito parte da sua história, combustível para se lutar diante das dificuldades. Perceber suas próprias habilidades e talentos, ou algo que lhe esteja disponível, e que multiplicando-se em sua mão quando descoberto e bem empregado, poderá ser de grande proveito para você e para os outros. Saber que a multiplicação do azeite depende de Deus, mas achar as vasilhas depende de você.

 

Wilson Maia dos Santos

8- AS ARMAS DA JUSTIÇA

Texto Bíblico: 2 Coríntios 6:4-10 RA

“Pelo contrário, em tudo recomendando-nos a nós mesmos como ministros de Deus: na muita paciência, nas aflições, nas privações, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, na pureza, no saber, na longanimidade, na bondade, no Espírito Santo, no amor não fingido, na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, quer ofensivas, quer defensivas; por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama, como enganadores e sendo verdadeiros; como desconhecidos e, entretanto, bem conhecidos; como se estivéssemos morrendo e, contudo, eis que vivemos; como castigados, porém não mortos; entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo.”

INTRODUÇÃO

Recomendar alguém significa apresentá-lo como uma boa pessoa, como alguém de bem, de caráter aprovado ou capacitada para determinada missão. Paulo está dizendo no texto acima que teria autoridade para se auto-recomendar ao mundo, tendo em vista uma série de evidências percebidas ao longo da sua história. Poderíamos dizer o mesmo a nosso próprio respeito em todas as ocasiões da vida?

1. Recomendável em Meio a Toda Espécie de Experiência Difícil.

“Pelo contrário, em tudo recomendando-nos a nós mesmos como ministros de Deus: na muita paciência, nas aflições, nas privações, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns,” (2 Coríntios 6:4-5 RA).

É na hora da crise que realmente demonstramos quem somos e o que temos dentro de nós. Paulo cita situações que envolvem aflição, privação, angústia, açoites, prisões e tumultos. Podemos nos surpreender com as nossas próprias atitudes em tempos de crise. Dependendo do que temos armazenado ao longo da vida, a nossa surpresa pode ser boa ou má. No caso de Paulo, ele se regozijava pelo fato de poder se recomendar aos outros como alguém exemplar mesmo nas condições mais adversas.Como agimos no desemprego, na escassez, na doença, nos acidentes, nas calamidades, nos desastres provocados pela natureza, etc?

2. Recomendável Pelo Que nos Deixamos Transformar.

“na pureza, no saber, na longanimidade, na bondade,no Espírito Santo, no amor não fingido,” (2 Coríntios 6:6 RA)

É de fundamental importância saber exatamente no que temos sido transformados. Ele fala de pureza, de saber, de longanimidade, de bondade, do Espírito Santo e de amor não fingido. Quem ele era antes de conhecer a Cristo? Quem nós éramos antes de conhecer e crescer em Cristo? Impuros e não puros no pensamento, nas intenções e nas práticas; ignorantes e não sábios acerca das coisas espirituais; intolerantes e não longânimos quanto à fraqueza do próximo; maldosos e não bondosos em nossas maquinações contra os outros; cheios de nós mesmos e não do Espírito Santo; manifestando um tipo de amor que só compreendia os amigos, e, mesmo assim, muitas vezes fingido e interesseiro. Mas, glória a Deus, fomos transformados!

3. Recomendável Pela Fonte dos Nossos Recursos.

“na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, quer ofensivas, quer defensivas;” (2 Coríntios 6:7 RA)

Paulo desenvolve a sua palavra procurando mostrar que não lançava mão em momento algum de qualquer outro recurso que não viesse de Deus. Aliás, toda a pureza, bondade e virtudes relatas acima eram produto justamente do que havia recebido dEle. Agora, no ministério, está consciente de que não poderá prosperar se abraçar outro padrão que não seja o revelado nas Escrituras. Estou eu consciente do meu compromisso com a verdade da Palavra, ou a negocio conforme meus próprios interesses? Estou certo de que não posso fazer as coisas no meu próprio poder, senão somente no de Deus? Minhas armas são as da justiça quer para me defender ou para atacar, ou me utilizo das mesmas armas da iniqüidade, da mentira, da calúnia, da vingança, que usam contra mim? Ainda sobre as armas, estou eu consciente de que as minhas armas da justiça ainda que possam ser também ofensivas nunca serão usadas contra as pessoas, senão somente contra os principados e potestades da maldade (Efésios 6:12)?

4. Recomendável Ante Acusações e Opiniões Contrárias a Nosso Respeito.

“por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama, como enganadores e sendo verdadeiros;” (2 Coríntios 6:8 RA)

Acredito que a dor de uma integridade questionada é mais forte do que o incômodo da privação ou da própria angústia. Refiro-me às situações quando as pessoas nos difamam, nos caluniam, quando imputam sobre nós uma culpa que não merecemos. Quando insistem em dizer que as nossas lutas são sempre fruto dos nossos pecados e que, portanto, merecemos aquilo. É disto que Paulo está falando agora. Não apenas de situações externas, produto da contingência do dia a dia, mas de perseguição hostil que fere por dentro, procurando abalar as estruturas do nosso ser. Mesmo nessas questões Paulo se considera recomendável. Isso quer dizer que ele aprendeu a manter-se em Deus sem cair na tentação de se justificar ou de querer provar algo a alguém. Ele descobriu como conservar sua mente e sua consciência em paz diante de Deus em meio às investidas, fossem elas malignas ou meramente humanas, que sofreu em várias ocasiões do seu ministério. Isso não quer dizer negação de possíveis culpas reais, ou seja, deixar de reconhecer quando estava realmente errado, mas manter-se em paz quando havia convicção de um andar reto diante de Cristo e dos homens.

5. Recomendável Pela Reação Diante dos Sofrimentos Infligidos.

“como desconhecidos e, entretanto, bem conhecidos; como se estivéssemos morrendo e, contudo, eis que vivemos; como castigados, porém não mortos; entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo.” (2 Coríntios 6:9-10 RA).

Dizer que Paulo era um desconhecido significava desprezar e questionar a sua autoridade espiritual. No entanto, ele era bem conhecido de Deus. Persegui-lo até à beira da morte física,  emocional, motivacional ou ministerial, sempre esteve na agenda de trabalho dos seus algozes, além de castigar, entristecer, tirar os recursos e privar dos direitos. Porém, ante cada uma dessas hostilidades ele reagiu com vida e não morte; alegria e não amargura; enfrentando a privação pessoal material enquanto enriquecia espiritualmente a muitos, sempre consciente de que a sua verdadeira riqueza não se encontrava neste mundo.

CONCLUSÃO

É desta forma que os verdadeiros homens ou mulheres de Deus se tornam recomendáveis diante dos outros.

 Wilson Maia dos Santos